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Inês Rivera Sernaglia: COMPAIXÃO

Enviado por murilo em qua, 04/17/2019 - 14:05

 O homem está tão habi­tuado aos próprios proble­mas e aflições que se fecha a uma existência medíocre de satisfação dos sentidos físicos, não percebendo as necessidades do seu próxi­mo, resguardando-se numa couraça de indiferença a fim de, também, poupar-se de dores maiores. Lutando por títulos, dinheiro, reco­nhecimento social, depo­sita a felicidade na ilusão, na adoração às coisas ma­teriais, experimentando certa apatia em relação ao bem que poderia edificar, encarcerando-se num ego­centrismo infeliz.

O individualismo é uma barreira que impede o de­senvolvimento das poten­cialidades da vida e por isso mesmo não poderemos nos tornar indiferentes quando pudermos ser úteis, pois o Pai de infinita misericórdia nos pedirá contas do bem que não tenhamos feito.

Não faltam avisos con­vocando-nos à observân­cia da nossa participação no mundo, alertando-nos quanto à necessidade de transcender a nós mesmos e desenvolvermos a com­paixão. É mediante o hábito dessa virtude, que aprende­mos a sacrificar os senti­mentos inferiores e abrir o coração. Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não a valoriza nem reconheça ou sequer venha a identifica-la. O es­sencial é o sentimento de edificação, o júbilo da rea­lização por menor que seja, naquele que a experimenta.

Expandir esse senti­mento é dar significação à vida, pois ela está acima da emotividade desequilibra­da e vazia; a compaixão age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, enquanto o outro sente pena. É a vir­tude que mais nos aproxi­ma dos anjos. Ela é a irmã da caridade. Bem sentida é amor, o sentimento mais apropriado para dominar o egoísmo e o orgulho. A compaixão nos comove aos sofrimentos de nossos irmãos e nos impulsiona a estender-lhes as mãos.

Grande, porém, é a compensação quando da­mos coragem e esperança a alguém infeliz, necessitado de amparo, porque estamos todos mergulhados em re­gime de interdependência de uns para com os outros. E considerando que tudo está ligado a tudo e todos os seres ligados entre si, então o sofrimento do pró­ximo é o nosso sofrimento e a felicidade do próximo é a nossa própria felicidade.
Quantas são as vezes que nos preocupamos mais com o reconhecimento e com a gratidão do que com o nosso ato? E quantas são às vezes em que julgamos a quem estender as mãos...?

Jesus nos convida ao trabalho, porque esta é a nossa herança na jorna­da evolutiva. O trabalho é ação sem julgamentos e a compaixão é que provoca a ação.

Se queremos um mun­do melhor para a nossa próxima existência, para os nossos filhos e netos, o que estamos fazendo para isso? Se a lei é de ação e reação, plantio e colheita, o que estamos plantando agora para colhermos na próxi­ma existência? O Evange­lho Segundo o Espiritismo, capítulo 13 item 17 diz: “A compaixão garantirá a fe­licidade a Terra fazendo finalmente reinar a concór­dia, a paz e o amor.” Pode­mos fazer muito mais do que estamos fazendo, isso é certo.

Não se conhece nenhu­ma conquista que che­gue ao espírito sem estar apoiado na prática. Prossi­gamos, assim, atentos aos sofrimentos dos nossos semelhantes e trabalhemos sempre, baseados nos prin­cípios do amor.

A excelência da com­paixão é viver impregnado pelo amor do Cristo, sa­bendo que amor é devota­mento e este é esquecer-se de si mesmo, e esse esque­cimento, essa abnegação em favor dos necessitados é a virtude por excelência é aquela que Jesus praticou em toda a sua caminhada, deixando-nos essas semen­tes benditas para que pos­samos fazê-las germinar e florescer em cada coração.

Bibliografia:
KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – 182ª edição – Editora IDE – Araras/SP/ ques­tão 657 – 2009.
KARDEC, Allan – O Evan­gelho Segundo o Espiritismo, cap. 13, item17 – 365ª edição - Editora IDE – Araras/SP/ – 2009.
XAVIER, F.C. – Encontro Marcado – ditado pelo Espírito Emmanuel – 13ª edição – Edito­ra FEB – Brasília/DF – lição 16.

Ines Rivera