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Maria de La Concepción Parada: Aviso, Chegada e Entendimento

Enviado por murilo em qua, 04/17/2019 - 14:12

Houve um tempo em que a Doutrina Espírita precisou cha­mar a atenção das pessoas atra­vés dos fenômenos espirituais. O extraordinário codificador do Espiritismo, Allan Kardec, apli­cou a metodologia científica aos fenômenos chamados à época de insólitos. Empregou toda a sua genialidade e cultura a ser­viço da organização dos ensinos imortais lançando em livros a filosofia, a ciência e a religião espíritas.

Com seus ensinamentos, o ilustre mestre alertou, orien­tou e alinhou os estudos na sua maioria, na direção do plano es­piritual com intenso foco para o socorro aos espíritos sofredores que, atrasados em sua evolução e ligados ao mundo da matéria, necessitavam do amparo para aprenderem a se libertar, inse­rindo na espiritualidade ociden­tal uma forma de pensar.

Hoje, com o respeito que o Espiritismo alcança, é necessá­rio focar na real finalidade da doutrina, na importância das diretrizes espíritas, para a segu­rança e o bom êxito nas tarefas mediúnicas que possibilitam socorro e aprendizado entre encarnados e desencarnados, rumo ao progresso intelecto moral da humanidade.

A doutrina não foi ditada nem imposta à crença cega. As­sim, em A Gênese, capítulo 1 item 50, Kardec esclarece que: “ Os espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guia-lo no caminho da verda­de mas, abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir

 por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornece-lhe os prin­cípios, os materiais; cabe-lhe aproveitá-los e pô-los em obra.

O espírito Viana de Carva­lho, no capítulo 28, sob o título Hora da Divulgação Espírita, de sua obra Reflexões Espíritas, psicografado pelo médium Di­valdo Pereira Franco, diz: “Na gênese dos males que afligem o homem e a humanidade per­manece a ignorância e muita angústia aguardando a contri­buição espírita e muita loucura necessitada de socorro espiritu­al.”

O Espiritismo não tem por objetivo produzir milagres e fenômenos, nem competir com as ciências ordinárias, mas con­tribui para que a humanidade adquira emancipação espiritual, pelo conhecimento.
A mediunidade é coisa santa e deve ser santamente pratica­da. É sublime missão traduzida no trabalho sério, discreto, na maioria das vezes anônimo. Ela nos foi concedida não para sim­ples passatempo ou para satisfa­zer nossos caprichos, mas para suavizar sofrimentos alheios e para a prática de verdadeira caridade. Os médiuns não são arautos reencarnados e, em sua maioria, estão em necessárias e rígidas provas para seu próprio aperfeiçoamento. Muitos tem desperdiçado as suas vivências desviando-se do caminho, rejei­tando a simplicidade, unindo-se ao orgulho, almejando notorie­dade, fama, tropeçando nos próprios escândalos, perdendo­-se na própria vaidade.

Muitas são as dificul­dades que se apresentam na luta de cada dia e que são clas­sificadas como impedimentos de natureza psíquicofisiológica. Desejam-se as realizações ge­nerosas nos domínios da reve­lação superior, sonha-se com conquistas gloriosas e realiza­ções sublimes; entretanto, há que corrigir as atitudes mentais diante da vida humana.

O coração do homem é bús­sola que o leva para o bem ou para o mal. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 8 item 7 o codificador, esclarece: “(...) a pessoa que nem sequer pensa no mal já realizou um progresso, aquele que pensa no mal, mas o repele, o progresso está em vias de se realizar. Po­rém aquele que tem um mau pensamento e nele se satisfaz é porque o mal ainda existe na plenitude de sua força; numa o trabalho está feito, na outra, está por se realizar. Deus que é justo, leva em conta todas as diferen­ças ao responsabilizar o homem por seus atos e pensamentos.”

É imprescindível operar no bem, na escolha do material, nos esforços de aquisição, na aplica­ção necessária, demonstrando firmeza, harmonia de conjunto e primores de acabamento. O homem de bem se revisa a cada dia estimando o trabalho antes do repouso, desenvolvendo ta­refas aparentemente pequenas antes das grandes obras, cons­truindo estradas sólidas para a fraternidade legítima, concreti­zando a elevação dos sentimen­tos, formando as bases cristãs que santificam o curso das rela­ções entre os homens.

Em todos os trabalhos da mediunidade aceitemos a von­tade do Pai, e nos serviços de fé não tentemos baixar até nós os Espíritos Superiores, mas aprendamos a subir até eles, conscientes de que os caminhos do intercâmbio são os mesmos para todos, e mais vale elevar o coração para receber o infinito bem, do que exigir o sacrifício dos benfeitores.

Afastemo-nos do orgulho e da vaidade que nos impedem de refletir a luz Divina, colocan­do as expressões fenomênicas do trabalho em segundo plano, lembrando sempre que o espíri­to é tudo.
Dia virá em que o nosso sen­tido mediúnico estará tão apu­rado que desaparecerão todas as barreiras que nos separam dos planos espirituais. Apoiados na mediunidade que no futuro não terá mistérios para ninguém e na Doutrina Espírita, caminha­remos, evoluindo sempre, tra­balhando para a felicidade da humanidade cumprindo nossos deveres, fazendo jus à paz que tanto necessitamos.

Bibliografia:
RIGONATTI, Eliseu – Mediu­nidade sem lágrimas - edição – São Paulo/SP/ Editora Pensamento -2018. XAVIER, C. Francisco – Missionários da Luz – ditado pelo espírito André Luiz – 43ª edição – Rio de Janeiro/RJ/ Editora FEB – 2017.
XAVIER, C. Francisco – Seara dos Médiuns – ditado pelo espírito Emmanuel – 6ª edição – Brasília/DF/ Editora FEB – 2015 – Aviso, chegada e entendimento.