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Maria Margarida, escreve: Edifiquemos nossa vida sobre a rocha

Enviado por Redação em seg, 09/10/2018 - 13:18

Depois de proferir o grandioso manifesto espiritual “Sermão do Monte”, concluiu o Mestre com a seguinte parábola: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva e transbordaram os rios e assopraram os ventos e combateram aquela casa e ela não caiu; porque estava fundada sobre a rocha”. (Mt, 7: 24-28)
O núcleo central de toda a pregação de Jesus era: O amor a Deus sobre todas as coisas, adorando-o “em espírito e verdade”; o amor ao próximo como a si mesmo, fazendo às criaturas “tudo quanto quereis que elas vos façam”; a realidade da vida espiritual e sua maior importância que a vida material, pois “que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?”; a Justiça divina de que a cada um será dado segundo as suas obras.
Em seus ensinamentos, Jesus afirma de maneira clara que a vontade de Deus é que trabalhemos não só em proveito próprio, mas em proveito de nossos semelhantes: ao passo que não é vontade de Deus crermos sem trabalho, isto é, cegamente, sem obras.

A crença cega é a crença dos anciãos do povo, dos velhos rotineiros e dos sacerdotes, pois são estes que Jesus disse que os publicanos e as meretrizes lhes eram, ainda, superiores, tanto assim que os precederiam no Reino dos Céus. São esses mesmos anciãos e sacerdotes que assumindo a tarefa de guiar para a verdade, os moços e os que lhes estão sujeitos, se mantém num exclusivíssimo condenável, apagando, até das almas, alguma centelha de fé que lhes foi doada. Enquanto que os publicanos e as meretrizes que demoram na caminhada evolutiva, como é sabido, mas afinal, mudam de vida, e se tornam, as mais das vezes, grandes obreiros da seara do Pai.

O Mestre Divino ensinava amorosamente o povo, explicando e aplicando a sua Doutrina. Ela ia direto aos corações de seus ouvintes, avivando-lhes a ideia inata que traziam de um mundo de paz, de amor e de fraternidade. Despertava-lhes, assim, a esperança, reacendia-lhes a fé, conduzindo-os à prática da caridade, ao passo que os escribas e fariseus, os sacerdotes das religiões organizadas, amedrontando os humildes, sobrecarregava-os de formalidades materiais, esquecendo-se de cuidarem da parte espiritual do povo. Por tudo isso, pouca confiança mereciam.
Por essa razão é que Jesus, nos seus ensinos, nos convida a fundamentar a nossa vida no que é duradouro (a casa sobre a rocha) tendo em vista que a observância dos preceitos que Ele pregava nos dará a fortaleza moral com a qual nós nos protegeremos quando tivermos de sofrer as provas e expiações que merecemos.

Com o espírito fortalecido pelo conhecimento das leis divinas, facilmente, triunfaremos das vicissitudes terrenas e edificaremos nossas vidas em bases sólidas, que não poderão ser abaladas pelas ilusões da Terra. Quem ouve as palavras do Cristo é aquele que estuda o Evangelho; mas não basta estudar ou ouvir a palavra. O Mestre Divino destaca, entre todos os seus discípulos, aqueles que lhe ouvem os ensinamentos e os praticam. Disso se conclui que os homens de fé, não são aqueles, apenas, palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores, igualmente, da atenção e da boa vontade, perante as lições que Ele nos trouxe, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação do dia a dia, porque, na obra divina, tudo convida o homem ao trabalho de seu aperfeiçoamento e iluminação, respeitando a firmeza de fé, onde ela existir, porém, não nos esquecendo da edificação da nossa própria, para a vitória alcançar.

O convite reiterado de Jesus é para que fundamentemos a nossa fé, nossa crença no que é duradouro, em bases sólidas. Com exemplos simples e para facilitar a compreensão do povo, Ele compara a crença com um edifício: A boa crença é semelhante ao sólido edifício construído sobre a rocha; é a crença verdadeira que nasce do estudo, do livre exame, da observação; é a crença ativa, racional, científica. E a má crença ou falsa que é passiva, tradicional, hereditária aceita os dogmas que lhe são sugeridos, sem consciência, sem análise, sem convicção.

Também, assim, é a religião. Quem a procura com boa vontade e livre de ideias pré-concebidas está edificando sobre a rocha. Ao passo que, aquele que se submete a qualquer doutrina, sem consciência do que faz, edifica sem base e está construindo em terreno movediço.
A verdadeira crença consola-nos nos momentos de provação, livra-nos das emboscadas dos Espíritos maléficos, dá-nos calma, coragem e fortaleza para vencer.

A fortaleza moral que sustentará o nosso espírito, nos dará condições de lutar contra as nossas imperfeições e desenvolver em nossa alma as virtudes; também nos ajudará a reagir contra o ambiente em que vivemos com os nossos familiares que, muitas vezes, se convertem em instrumentos das trevas e combatem contra a nossa espiritualização.

Assim, agindo com discernimento, teremos condições de interferir, como instrumento divino, no meio ambiente em que vivemos, conseguindo que aqueles nossos familiares, de espiritualidade ainda não desperta, não nos impeçam de continuar a nossa caminhada para Deus, ou que anulem os nossos esforços de construirmos nossa fortaleza moral.
Dessa forma, a Doutrina do Cristo é escudo e força para o Espírito encarnado e desencarnado palmilhar a estrada que conduz à salvação, ao Reino de Deus.

Segundo Huberto Rohden, filósofo e educador, em sua visão cósmica da mensagem do Cristo, afirma que o que o homem tem de realizar aqui na Terra, pela criatividade de seu livre arbítrio, é ‘dar luz a si mesmo’, a auto-realização interna do Eu espiritual, invisível, ou seja, a realização do sujeito (homem) pela conscientização de si mesmo, daquilo que ouviu, compreendeu e começar a realizar as grandes verdades divinas, e não somente ouvi-las, mas mergulhar profundamente nas águas vivas dos ensinos cristãos.

É nisso que Jesus faz consistir a suprema sabedoria do homem: da verdadeira felicidade, até que se chegue a “as obras que eu faço, é o Pai em mim que faz”, transformar o homem egocêntrico em homem teocêntrico. Quando o ser humano chegar a esse ponto “saboreia intimamente a sapiência do sermão do monte, realiza a criatividade em sua Cristo-vivência: “já não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim”.
Esse é o homem que edificou a casa de sua vida em bases sólidas, sobre a rocha viva da verdade, plenamente vivida, que gerou a liberdade, e desta faz nascer a felicidade.

Colocar na prática do dia a dia os ensinamentos do Cristo, além do estudo, podemos fortalecer, ainda mais, o nosso espírito através da prece. Ela nos fortifica, principalmente, se dela fizermos hábito diário porque forma-se, em nosso recinto, uma pequena corrente espiritual da qual receberemos fluidos benfazejos que fortalecem o nosso corpo e a nossa alma.

Importante, também, é a dedicação aos trabalhos espirituais, a leitura de bons livros. Isso nos ajudará a reunir forças espirituais que nos protegerão das tentações mundanas. Especialmente os médiuns, os trabalhadores do Evangelho, os assistentes das sessões espíritas e dos estudos do Evangelho; todos se beneficiarão das horas que passarem em contato com os planos superiores, através das lições de Jesus. Onda não haja Centros de explicações evangélicas, resta-nos o concurso da prece e das leituras edificantes.

Temos, ainda, outros meios fáceis que nos permitem adquirir forças espirituais praticando os ensinamentos de Jesus: visita aos doentes, levando-lhes o nosso carinho, nossa palavra amiga de estímulo e conforto. Há, também, os desvalidos que reclamam o nosso concurso fraterno. São meios eficazes de fortalecer a nossa alma.

Um dos principais pontos, onde podemos fracassar na nossa caminhada evolutiva, é a não observância das lições do Evangelho, com conhecimento de causa que, há mais de dois mil anos, Jesus espera que tomemos conhecimento dos seus ensinos e os pratiquemos. Uma vez que estudamos as leis divinas, temos obrigação de viver de acordo com elas.

O Evangelho não é um repositório de máximas para uso dos outros apenas, mas, principalmente, para nosso próprio uso. Os que pregam e ensinam e, todavia, não vivem em harmonia com o que ensinam e pregam, estão construindo a casa sobre a areia. A fortaleza moral se consegue, sobretudo, pela prática sistemática dos preceitos divinos. Os médiuns que trabalham nos Centros Espíritas, pregando e doutrinando e, contudo, em seus lares, em suas relações sociais, em seus costumes, não cogitam de aplicar os ensinamentos que pregam ou transmitem aos outros, são trabalhadores fracassados, que constroem sobre a areia movediça.

Neste particular, recomenda-se a máxima vigilância sobre a família: uma vez que ditamos normas evangélicas para os outros, devemos zelar para que, em nosso ambiente familiar, estas mesmas normas sejam, rigorosamente, observadas.
Outros que também fracassam são aqueles que não possuem a força moral suficiente para seguir a orientação espiritual que pediram, e que receberam, porém, que não chegou conforme seus desejos. Todos nós podemos solicitar do plano superior uma orientação para bem dirigir nossas vidas, especialmente, no que se refere à parte espiritual.

Entretanto, uma vez recebida a resposta, é mister que passemos a pautar nosso procedimento, seguindo as instruções que nossos guias, mentores espirituais, nos deram.
Podemos dizer, também, que constroem sobre a areia aqueles que não aceitam, resignadamente, as provas e as expiações que lhes couberam; e os que usam dos bens que o Senhor lhes confiou, unicamente, para satisfação do seu egoísmo.

Finalmente, Jesus coloca a mensagem que traz ao nosso Planeta, como condição indispensável para o progresso espiritual humano: “Eu sou o caminho da verdade e da vida”. “Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo, 14:6). E convida a todos que entendam a sua mensagem e aceitem nela perseverar, agir de acordo, para alcançarem a vida eterna, isto é, a libertação da inércia e do erro para conquistar maior vida espiritual: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo, 8:32).
 

Maria Margarida Moreira