Você está aqui

Maria Margarida Moreira: Mediunidade, Obsessão e Jesus

Enviado por murilo em qua, 04/17/2019 - 14:01

 Para o esclarecimento sobre a cura da obsessão, o Espiritismo é, sem dúvida, a chave mestra e a mediuni­dade, a grande responsável por essa descoberta. Por ela os inimigos ocultos traíram a sua presença. Ela fez com eles o que o microscópio fez com os infinitamente pe­quenos: revelou um mun­do novo. O Espiritismo não atrai os maus espíritos, como imaginam alguns. Ele des­cobriu-os e nos forneceu os meios de lhe combatermos a ação e, por conseguinte, de os afastarmos. Não trouxe o mal, mas trouxe-nos, sim, o remédio ao mal, apontando­-nos a causa dele.

As reuniões espírita­-evangélicas, doutrinárias e mediúnicas cooperam, efi­cazmente, para a cura da ob­sessão, pelo esclarecimento, beneficiando perseguidos e perseguidores, vítimas e algozes. É um dos serviços mais nobres a que se dedicam os médiuns, em toda parte, Companheiros se organizam em núcleos adequados de in­tercâmbio e assistência, para a cura desse mal que exige grande esforço dos amigos espirituais e dos auxiliares encarnados.

Quem, hoje, ironi­za a mediunidade em nome do Cristo, esquece-se, na­turalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou nesse mundo, erguendo-se ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna Doutrina entre os homens. É assim que co­meça o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clari­vidência, no estabelecimen­to da Boa Nova. Honorifi­cando-a nas atividades da cura, transmitindo passes de socorro aos cegos e pa­ralíticos desalentados e afli­tos, restituindo-lhes a saúde, dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores, por intermédio dos alienados mentais, que lhe surgem à frente. Jesus Cristo foi o iniciador da de­sobsessão sobre a Terra.

Dessa forma, não nos agastemos contra aqueles que perseguem a mediuni­dade, através do achincalhe – tristes negadores da rea­lidade cristã, ainda mesmo quando se escondem sob os veneráveis distintivos da au­toridade humana – porquan­to os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus.

Compadecendo da nossa ignorância, a Divina Providência deliberou enviar Jesus, como governador do Planeta Terrestre, para que nos instruísse nos caminhos da elevação. Ele veio em pes­soa e preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida, em aquinhoar cada Espírito com eficientes recursos de renovação para o bem, a fim de evitar a ação dos efeitos perniciosos da obsessão. Por esse motivo, nos aconselha a não conde­nar o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição, mas ajudar o quanto pudermos; não perdermos tempo em procu­rar o mal, porém, empregar atenção em socorrer as víti­mas.

Reforça o objetivo de sua vinda: “Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Vinde a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos e sereis aliviados e consolados. Extirpados se­jam de vossas almas dolori­das a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade; são monstros que sugam o vosso mais puro sangue e vos abrem chagas, quase sempre mor­tais.”, afirmativa encontrada em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 7. O médico divino curava para ensinar pelo exemplo as Leis de Deus, sintetizadas nesta sábia sentença: amar a Deus e ao próximo, fazendo ao vosso semelhante o que que­reríeis que ele vos fizesse.

Assim é que seu grande conhecimento das Leis que regem o Universo e dos fluídos nele existentes, a sua força para a dominação e transformação desses fluí­dos, a sua vontade soberana de fazer realçar a Lei de Deus, o seu amor imenso pelos so­fredores, pelos deserdados da sorte, o auxílio constante que recebia de Deus, a enor­me milícia celeste e a multi­dão de Espíritos que se acha­vam sob as suas ordens, o seu magnetismo tudo concorria para que Ele cumprisse a sua tarefa. O restabelecimento dos enfermos seguiu-se logo após as ordens dadas por Je­sus, aos espíritos maléficos, para que se afastassem dos sofredores. E aquele cuja au­toridade é respeitada exerce com competência a sua tare­fa.

Mas, como o Médico Divino conseguiu realizar essas curas? Espírito puríssimo, de grande força moral, dominou Ele os espí­ritos que tinham a força física, para se apoderarem dos outros, porém não tinham força moral para resistir às suas ordens. Nunca, ao que parece, o estudo desse terrível flagelo a obsessão – que in­felicita as criaturas afastadas de Deus, a meditação sobre suas ações e consequências, e o esforço para combatê-la, foram mais necessários que na atualidade.

Certos médiuns te­mem orar pelos obsessores a fim de não atraí-los, quando, em verdade, devemos amá­-los e nos compadecer deles, procurando servi-los, pois a prece é, justamente, a defesa que temos contra essas inves­tidas, a par das boas qualida­des morais e mentais. Eles são, sim, grandes sofredores que padeceram, quando en­carnados, injúrias, humilha­ções; muitos foram vítimas de crimes, mas são também, passíveis de nos respeitar e estimar, se soubermos com­preendê-los e conquistá-los pelo amor, que “tudo su­porta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre”, como ensina o venerável apóstolo do amor, Paulo de Tarso, na Primeira Carta aos Coríntios, capitulo 12.

Procurando acon­selhá-los, mesmo através da prece, pacientemente, con­seguiremos atraí-los para as coisas de Deus e mais uma ovelha poderá ser recebida no apresso daquele amoroso Pastor que afirmou “haver mais júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove jus­tos que não necessitam de arrependimento” (Lucas, XV: 3-7).

Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns – Capítulo XXIII – Questão 237 – 59ª edição – 1992 – FEB – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
KARDEC, Allan. A Gênese – Capítulo XIV – Obsessões e Possessões – item 45 – 17ª edi­ção – 1990 – LAKE, SP, Brasil.
PEREIRA, Yvonne Amaral. À Luz do Consolador – 3ª edi­ção – 1998 – FEB – Rio de Janei­ro, RJ, Brasil.
XAVIER, Francisco Cân­dido. Pelo Espírito Emmanuel – Seara dos Médiuns – lição 59 – 7ª edição – 1991 – FEB – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Maria Margarida