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Temi Mary Faccio Simionato: Dever Espírita

Enviado por murilo em qua, 04/17/2019 - 13:52

 “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamen­to; instruí-vos, eis o se­gundo. Todas as verdades encontram-se no Cristia­nismo, são de origem hu­mana os erros que nele se enraizaram.”

A Nova Revelação convida-nos a refletir so­bre a função que nos cabe na ordem moral da vida. Cada criatura é peça sig­nificativa na engrenagem do progresso, possuindo destacadas obrigações no aperfeiçoamento do espí­rito. Alma sem trabalho digno é sombra de inércia no concerto da harmo­nia geral; palavras vazias e pensamentos fechados constituem congelamento deplorável no serviço da evolução, portanto, aque­les que julgam existir na mensagem do além o eli­xir do êxtase preguiçoso e improdutivo, não en­contram as portas abertas no mundo espiritual para consagrar-lhe a ociosida­de.

O objetivo da nossa existência na Terra é reno­var a mente e aperfeiçoar o espírito. Tolice seria ar­gumentar que o espírito é imortal e as vidas sucessi­vas e que podemos deixar para outra existência o es­forço evolutivo.

Nesta fase de plena consciência, manejamos os elementos educativos que recebemos de fora, segundo nossa maneira de entender, integrando-os ao nosso modo no quadro dos conhecimentos que possuímos. E para conse­gui-lo será necessário ter vontade, porque o\inte­resse é a mola de tudo na vida, indispensável à au­toeducação. Assim, atra­vés do conhecimento das qualidades a desenvolver e dos maus hábitos e obs­táculos a remover, vamos nos aprimorando.

Na revista Reforma­dor de 1964, Indalício Mendez, colaborador e médium da Federação Espírita Brasileira, diz: “Todo aquele que aceita a Doutrina Espírita assume o compromisso de soli­dariedade, irmã gêmea da responsabilidade (...). Quem está integrado na doutrina e sabe respeitá­-la, transforma-se numa força atuante, positiva no ambiente em que viva (...). Com a Doutrina Espírita, o homem se torna senhor do seu destino, refinando o sentimento, educando­-se e preparando-se para uma vida progressivamen­te mais compreensiva, sa­dia, simples e melhor.”
Notamos, então, no Espiritismo a abertura plena para o espírito em qualquer posição que se encontre. A moral espírita estabelece que o compor­tamento verdadeiramente cristão é consequência na­tural da boa assimilação da doutrina. Lembramo-nos, assim, do Espírito Lázaro, em O Evangelho Segun­do o Espiritismo, capítulo 17, item 7: “O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, de­pois para com os outros. O dever é a lei da vida; ele se encontra nos mais ínfimos detalhes, assim como nos atos elevados.”

Como outrora Jesus re­velou a verdade em amor no seio das religiões bár­baras, usando a própria vida como espelho do ensinamento de que se fi­zera veículo, cabe agora ao Espiritismo confirmar­-lhe o ministério divino, transfigurando-lhe as li­ções em serviço de desen­volvimento da humani­dade. Assim, sem noção de responsabilidade, sem devoção a prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante para o nosso burilamento mo­ral, torna-se impraticável a peregrinação libertadora para os cimos da vida.

A transformação moral exige uma postura con­corde com a Lei Divina. É uma conquista de valo­res morais lenta, árdua e sacrificial, impondo-nos vontade real, autodisci­plina, perseverança e re­núncia. Entendemos, en­tão, que cada um procura o alimento espiritual que lhe corresponde à posição evolutiva.
“Uma só coisa é neces­sária” (Lucas,10:38-42), disse Jesus referindo-se à preparação espiritual que deve constituir a primeira preocupação de todo ser humano amadurecido. O Mestre reafirma o ensi­namento, quando visitou Maria e sua irmã Marta. Jesus não consentiu que Maria, que O ouvia, aban­donasse o aprendizado para ajudar a irmã Marta a servir a mesa, dizendo a esta: “Tu te ocupas com muitas coisas, entretanto, uma só é necessária. Ma­ria escolheu a melhor par­te, que lhe não será tirada”. Nesta preciosa lição, fica claro que precisamos estar acima de todas as ocupa­ções vulgares, esforçando­-nos para o aperfeiçoa­mento espiritual.

Não resta dúvida de que a vida na Terra é im­portante, porque somente por meio dela é que nos depuramos e aprimora­mos. Porém, se o objeti­vo é o progresso, convém observarmos até que pon­to fixamos nossa atenção nos pequenos afazeres do dia a dia e nas exigências do mundo. Por isso Jesus recomenda que procure­mos primeiro o reino de Deus e sua justiça, porque o resto virá por acréscimo. (Mateus, 6:33)
Encontramos tam­bém em Obras Póstumas, Credo Espírita, Preâm­bulo, o esclarecimento de Kardec: “(...) o processo individual não consiste somente no desenvolvi­mento da inteligência e na aquisição de alguns co­nhecimentos; o progresso consiste, principalmente, no melhoramento moral, na depuração do espírito, na extirpação dos maus germens existentes em nós. Este é o verdadeiro progresso, o único que assegura a felicidade da humanidade, porque é a negação do mal.”

Fica claro, então, que estudar o Espiritismo na sua limpidez cristalina, é dever que não nos é líci­to postergar, seja qual for a justificativa. A educa­ção encontra na doutrina as respostas precisas para melhor compreensão do educando e maior eficiên­cia do educador no labor produtivo de ensinar a vi­ver, oferecendo os instru­mentos do conhecimento e da serenidade, da cul­tura e da experiência aos reiniciantes do sublime caminho redentor.

O Cristo foi o inicia­dor da mais pura, da mais sublime moral; da mo­ral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aprimorar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor ao próximo e es­tabelecer entre todos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de es­píritos Superiores aos que hoje a habitam.

É a lei do progresso a que a natureza está sub­metida que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer com que a humani­dade avance.

“Portanto, meus ama­dos irmãos, sede firmes e constantes, sempre abun­dantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso tra­balho não é vão no Se­nhor,” como assevera o apóstolo Paulo de Tarso na Primeira Carta aos Co­ríntios, capítulo quinze, versículo cinquenta e oito.

Temi Mari